Tolerância Zero
COMPETENTE - SER OU NÃO SER?

               

Vemos, no dia-a-dia, inúmeros casos de pessoas insatisfeitas com seu trabalho. Vemos também, proprietários de empresas diversas sempre reclamando da ineficiência de seus subordinados. Afinal de contas, o trabalho é ruim? Ou o problema é com o funcionário?

Muito se fala sobre a importância da qualificação profissional; cada vez mais as empresas precisam de funcionários com conhecimento e eficiência. No entanto, o que vemos é uma massa de trabalhadores apáticos e que não executam nada além do básico.

No entanto, em muitos casos, o funcionário é qualificado e experiente, mas não “se dedica muito” aos interesses da empresa. Podemos até imaginar que o funcionário age assim porque não está na área que gostaria. Mas veja que interessante, amigo leitor, muitos estão sim na profissão que gostam, mas aprenderam a duras penas que não vale a pena ser competente.

Como assim, você pode me perguntar, não vale a pena ser competente?

Não vale, amigo leitor, a não ser que você esteja gerindo seu próprio negócio. Aí sim, lute com unhas e dentes e dê o melhor de si. Caso contrário, apenas problemas ocorrerão (e só para você, seu chefe sempre estará feliz).

Caso você seja o funcionário-modelo, que realiza seu trabalho com dedicação, nunca chega atrasado e não falta, e cumpre imediatamente o que seu chefe solicita, muito cuidado! Provavelmente passará por algumas das seguintes situações:

 - Você sempre é solicitado para fazer aquelas tarefas “que ninguém tem competência de fazer”. Você faz uma vez, seu chefe fica satisfeito. Daqui a pouco ele volta com outra tarefa dessas para você. E agora é sempre para você, já que “não adianta passar isso para outro funcionário”.

 - Você acaba exercendo tarefas que não são sua função: de repente você se vê até formatando e reinstalando o sistema operacional do computador pessoal de seu chefe.

 - Você é prestador de serviços em uma empresa qualquer, e em seu registro consta que você dispõe dos períodos da tarde e noite para o trabalho. Mas a secretária de seu patrão sempre te liga perguntando se você pode “abrir uma exceçãozinha” e chegar “às 9 da manhã”. Por que será que, por mais que se tenham horários livres, o chefe sempre pede para você aparecer em um período que não pode ir?

 - Seu pagamento não condiz com todas as tarefas importantes que realiza. Que estranho, você faz tantas coisas, salva o dia de tanta gente, é tão especial… E quando recebe seu contracheque, vê que tem o mesmo salário (até menos, hein) do que o tal funcionário incompetente.

 - Seu salário nunca é pago em dia. Essa é das melhores. Afinal, você é tão compreensivo e dedicado, ama tanto o seu trabalho, que seu patrão acha que você não se importa com dinheiro. “Vamos pagar os encrenqueiros primeiro”, é o que dizem.

 

Pois é, amigo leitor, infelizmente nos dias de hoje, do mesmo modo que encontramos trabalhadores executando suas tarefas com desdém, vemos os que realmente querem trabalhar sendo explorados. Tipo, você dá uma mãozinha e eles querem o braço inteiro. O profissional competente não pode, JAMAIS, ser solícito e prestativo. Acaba tendo que executar o básico, caso contrário irão abusar de sua boa vontade.

Se você é o tal funcionário competente, precisa aprender a diferenciar os tipos de empregadores para que se dedique à empresa que realmente o valorizará, e esta valorização com certeza é mais justa se vier com um contracheque mais, digamos, amigável…

Seríamos assim considerados mercenários demais? Ou estaríamos apenas valorizando nosso trabalho?

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POR QUE TRABALHAR?

                     

Amigo leitor, isto não é uma apologia à preguiça. É muito bom trabalhar, produzir, e encontrar satisfação no que se faz.

Mas e quando você tem um emprego estressante, chato e que te irrita mais do que qualquer coisa? Já pensou que saco ter que acordar cedo todo dia para ir trabalhar e ter a sensação de estar em um purgatório?

Para algumas pessoas, a realização profissional vem através de atividades importantes, bem remuneradas, cheias de glamour, etc., etc., etc. Para outras, a realização (ou pelo menos, a relativa paz de espírito) vem através de atividades em que você não precise de forma alguma ATENDER ALGUÉM. Não sei se vocês sabem, mas o trabalho em qualquer tipo de atendimento vai desenvolvendo no infeliz que o exerce certos efeitos colaterais (melhor dizendo, sequelas), que com o passar dos anos vão se tornando mais evidentes:

- Irritabilidade. Tente falar como se fosse um cliente com um parente seu que trabalha em atendimento e prepare-se para a saraivada de palavrões e xingamentos que vão se suceder.

- Desatenção. Você fala e o tal parente simplesmente não te escuta. Fica divagando nos próprios pensamentos, entrando em alfa para se afastar espiritualmente de onde se encontra.

- Alienação. Após um tempo falando, você nota que seu tal parente cochilou.

Concordo: fazer todo dia a mesma coisa, seguir a mesma rotina é muito tedioso. Imagine se ainda por cima a tal rotina estiver recheada de clientes sem noção e com pouquíssima educação.

O que seria um emprego ideal neste caso? Escriturário em um cubículo cheio de papéis, um computador (sem msn) e nenhum telefone? Projecionista de sala de cinema? Recortador de figuras no Photoshop?

Não, meus caros. Aqui estão algumas atividades profissionais que com certeza alguém assim vai querer exercer:

- Alimentador de leões ferozes e famintos em zoológicos no Congo;

- Encarregado de recolher favos de mel de colméias de abelhas africanas;

- Animador de fila de banco;

- Digitador de bulas de remédios;

- Revisor gramatical de bulas de remédios;

- Carteiro no Afeganistão;

- Encarregado de manutenção da rede elétrica localizada em favelas do Rio de Janeiro.

Caso o digníssimo leitor não concorde, faça um teste. Trabalhe por 6 horas em um atendimento qualquer. Pode ser aquele serviço de atendimento ao consumidor, o SAC, por exemplo. Avise-me depois se você aceitou um emprego no Pólo Sul, e fez grandes amizades com a fauna local.

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