Tolerância Zero
POR QUE É TÃO MARAVILHOSO FICAR EM CASA - 2

                      

Continuando nosso assunto, vamos analisar um outro caso: as férias de verão. Quem nunca teve que viajar com a família para o litoral? Eu nunca entendi a lógica disso. O cara leva a família para passar o Reveillon na praia. Seria ótimo, caso TODA A POPULAÇÃO de São Paulo não tivesse a mesma intenção. O cara quer passar uns dias de boa, tranqüilo, para descansar do stress da cidade grande.

Pois bem, só para chegar ao litoral ele leva 10 horas em uma viagem que em períodos normais levaria 1 hora e meia. A estrada está congestionada. Você olha para o horizonte e até onde a vista alcança o que existe é uma fila imensa de carros parados. E você ainda tem uns 150 quilômetros à frente.

Quando chega finalmente ao seu destino, vê que sua paz é uma utopia. Você vai passar o dia na praia e com certeza passa por algumas destas situações:

- Está tudo tão lotado, que não tem espaço na areia para você se sentar;

- A água deixou de ser água faz tempo e está mais para esgoto;

- Você entra na água e vê um cocô boiando;

- Não sabe se aquele líquido onde está imerso é água mesmo ou a somatória do xixi dos banhistas;

- A água está batendo em sua canela, mas está tão suja que você não consegue enxergar seu pé.

                         

De manhã, você vai à padaria e nota uma enorme fila, digna de quinto dia útil de banco, e percebe que é a fila para comprar pão. O pão acaba antes de chegar a sua vez. Vai ao mercado local que também está lotado. Não tem água onde você está hospedado, porque houve uma demanda muito grande; então se você quiser tomar banho, desista. Está tudo superlotado e você não tem sossego. Na volta, novamente trânsito difícil, pois todo mundo sempre retorna no mesmo dia e horário. Você chega em casa mais estressado do que quando saiu.

QUAL É A LÓGICA, meu Deus, de se fazer este programa de índio? Por que o paulistano se submete a tal sofrimento? Não é melhor ir ao litoral fora destes períodos?

 

Chego a duas conclusões: ou as pessoas são muito masoquistas ou muito burras mesmo.

Alguém aí disse “os dois”?

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POR QUE É TÃO MARAVILHOSO FICAR EM CASA

               

Que me perdoem os viajantes, aventureiros, descolados, carentes, etc., mas ficar em casa (quando se mora sozinho, é claro) é um verdadeiro paraíso. Tudo bem, se você se casou, tem filhos, ou mora com mais 15 pessoas, pode não ter a mesma opinião. Neste caso, concordo: ficar em casa pode ser problemático.

Mas imagine, leitor, que você mora sozinho. Ninguém para bagunçar a casa (a não ser você mesmo). Ninguém mexe nos seus livros, cds, dvds, etc. Fica tudo do jeitinho que você deixou.

Agora, imagine novamente: se pudéssemos escolher entre trabalhar em casa ou trabalhar em um escritório, pode ficar certo que muitas pessoas escolheriam a casa. Eu me incluo. Pena que ainda não existe a opção “em casa” para a lotação dos funcionários. Imagine a maravilha de viver assim:

 

- Não precisar mais pegar trânsito, e ficar horas parado no congestionamento;

- Não ter que ser ator com ninguém, simulando tolerância, educação ou cordialidade;

- Não precisar ouvir os absurdos da burrice humana;

- Não precisar pegar fila de banco, de mercado ou qualquer tipo de fila;

- Não ter que dizer “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”, se você não concorda com isso;

- Se estão te incomodando, é só ficar offline no msn;

- JAMAIS vai ter que dizer: “até amanhã”!

Que maravilha seria não ter que atender telefone, por exemplo. Você responde tudo o que te solicitam por e-mail. E o pessoal da sua empresa não fica o tempo todo te interrompendo e atrasando o bom andamento das suas atividades.

Embora o senso comum seja contra, existem muitas vantagens de se viver isolado. Claro que não totalmente isolado, você ainda vai precisar fazer mercado, ir ao cinema, lavar o carro, mas com certeza, cada vez que fizer isso será como se você fosse um monge budista. Sua paciência estará no nível máximo. O mundo parecerá algo novo e interessante. Não, você não sentirá saudade. Apenas imaginará: “ainda bem que daqui a pouco estarei em casa”.

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COMPETENTE - SER OU NÃO SER?

               

Vemos, no dia-a-dia, inúmeros casos de pessoas insatisfeitas com seu trabalho. Vemos também, proprietários de empresas diversas sempre reclamando da ineficiência de seus subordinados. Afinal de contas, o trabalho é ruim? Ou o problema é com o funcionário?

Muito se fala sobre a importância da qualificação profissional; cada vez mais as empresas precisam de funcionários com conhecimento e eficiência. No entanto, o que vemos é uma massa de trabalhadores apáticos e que não executam nada além do básico.

No entanto, em muitos casos, o funcionário é qualificado e experiente, mas não “se dedica muito” aos interesses da empresa. Podemos até imaginar que o funcionário age assim porque não está na área que gostaria. Mas veja que interessante, amigo leitor, muitos estão sim na profissão que gostam, mas aprenderam a duras penas que não vale a pena ser competente.

Como assim, você pode me perguntar, não vale a pena ser competente?

Não vale, amigo leitor, a não ser que você esteja gerindo seu próprio negócio. Aí sim, lute com unhas e dentes e dê o melhor de si. Caso contrário, apenas problemas ocorrerão (e só para você, seu chefe sempre estará feliz).

Caso você seja o funcionário-modelo, que realiza seu trabalho com dedicação, nunca chega atrasado e não falta, e cumpre imediatamente o que seu chefe solicita, muito cuidado! Provavelmente passará por algumas das seguintes situações:

 - Você sempre é solicitado para fazer aquelas tarefas “que ninguém tem competência de fazer”. Você faz uma vez, seu chefe fica satisfeito. Daqui a pouco ele volta com outra tarefa dessas para você. E agora é sempre para você, já que “não adianta passar isso para outro funcionário”.

 - Você acaba exercendo tarefas que não são sua função: de repente você se vê até formatando e reinstalando o sistema operacional do computador pessoal de seu chefe.

 - Você é prestador de serviços em uma empresa qualquer, e em seu registro consta que você dispõe dos períodos da tarde e noite para o trabalho. Mas a secretária de seu patrão sempre te liga perguntando se você pode “abrir uma exceçãozinha” e chegar “às 9 da manhã”. Por que será que, por mais que se tenham horários livres, o chefe sempre pede para você aparecer em um período que não pode ir?

 - Seu pagamento não condiz com todas as tarefas importantes que realiza. Que estranho, você faz tantas coisas, salva o dia de tanta gente, é tão especial… E quando recebe seu contracheque, vê que tem o mesmo salário (até menos, hein) do que o tal funcionário incompetente.

 - Seu salário nunca é pago em dia. Essa é das melhores. Afinal, você é tão compreensivo e dedicado, ama tanto o seu trabalho, que seu patrão acha que você não se importa com dinheiro. “Vamos pagar os encrenqueiros primeiro”, é o que dizem.

 

Pois é, amigo leitor, infelizmente nos dias de hoje, do mesmo modo que encontramos trabalhadores executando suas tarefas com desdém, vemos os que realmente querem trabalhar sendo explorados. Tipo, você dá uma mãozinha e eles querem o braço inteiro. O profissional competente não pode, JAMAIS, ser solícito e prestativo. Acaba tendo que executar o básico, caso contrário irão abusar de sua boa vontade.

Se você é o tal funcionário competente, precisa aprender a diferenciar os tipos de empregadores para que se dedique à empresa que realmente o valorizará, e esta valorização com certeza é mais justa se vier com um contracheque mais, digamos, amigável…

Seríamos assim considerados mercenários demais? Ou estaríamos apenas valorizando nosso trabalho?

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POR QUE TRABALHAR?

                     

Amigo leitor, isto não é uma apologia à preguiça. É muito bom trabalhar, produzir, e encontrar satisfação no que se faz.

Mas e quando você tem um emprego estressante, chato e que te irrita mais do que qualquer coisa? Já pensou que saco ter que acordar cedo todo dia para ir trabalhar e ter a sensação de estar em um purgatório?

Para algumas pessoas, a realização profissional vem através de atividades importantes, bem remuneradas, cheias de glamour, etc., etc., etc. Para outras, a realização (ou pelo menos, a relativa paz de espírito) vem através de atividades em que você não precise de forma alguma ATENDER ALGUÉM. Não sei se vocês sabem, mas o trabalho em qualquer tipo de atendimento vai desenvolvendo no infeliz que o exerce certos efeitos colaterais (melhor dizendo, sequelas), que com o passar dos anos vão se tornando mais evidentes:

- Irritabilidade. Tente falar como se fosse um cliente com um parente seu que trabalha em atendimento e prepare-se para a saraivada de palavrões e xingamentos que vão se suceder.

- Desatenção. Você fala e o tal parente simplesmente não te escuta. Fica divagando nos próprios pensamentos, entrando em alfa para se afastar espiritualmente de onde se encontra.

- Alienação. Após um tempo falando, você nota que seu tal parente cochilou.

Concordo: fazer todo dia a mesma coisa, seguir a mesma rotina é muito tedioso. Imagine se ainda por cima a tal rotina estiver recheada de clientes sem noção e com pouquíssima educação.

O que seria um emprego ideal neste caso? Escriturário em um cubículo cheio de papéis, um computador (sem msn) e nenhum telefone? Projecionista de sala de cinema? Recortador de figuras no Photoshop?

Não, meus caros. Aqui estão algumas atividades profissionais que com certeza alguém assim vai querer exercer:

- Alimentador de leões ferozes e famintos em zoológicos no Congo;

- Encarregado de recolher favos de mel de colméias de abelhas africanas;

- Animador de fila de banco;

- Digitador de bulas de remédios;

- Revisor gramatical de bulas de remédios;

- Carteiro no Afeganistão;

- Encarregado de manutenção da rede elétrica localizada em favelas do Rio de Janeiro.

Caso o digníssimo leitor não concorde, faça um teste. Trabalhe por 6 horas em um atendimento qualquer. Pode ser aquele serviço de atendimento ao consumidor, o SAC, por exemplo. Avise-me depois se você aceitou um emprego no Pólo Sul, e fez grandes amizades com a fauna local.

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HADOUKEN!!!

Caríssimos, hoje acordei com esta palavra na cabeça. Não me perguntem por que nem como. Aquele poder que o Ryu (o Ken também?) lançava em seu adversário no Street Fighter, sabe? Ele chegava e gritava: “Hadouken!!!”. O foguinho saía das mãos dele e PÔW!!! Derrubava o oponente.

No mundo real, o hadouken seria maravilhosamente utilizado nas pessoas sem noção. Quem não se deparou pelo menos uma vez ao dia com alguém assim? Aquele indivíduo chato, que não se toca, não tem desconfiômetro, e vive com um único propósito: atrapalhar a vida de quem tem o que fazer. Se pudéssemos selecionar as pessoas sem noção das outras, criaríamos uma nova espécie, e a raça humana estaria realmente ameaçada de extinção.

Muitas vezes a burrice é um fator que parece estar intimamente ligado à falta de noção. Quem nunca presenciou cenas típicas como essas:

- Você está no mercado, é o próximo a passar suas compras no caixa; exausto pelo dia de trabalho, quer ir logo para casa. A anta que está passando as compras antes de você emperrou o bom andamento do caixa porque o marido dela se lembrou de comprar mais alguma coisa. O sem noção foi buscar a mercadoria, mas deve ter se perdido no caminho. Não, acho que ele parou para tomar um cafezinho. Mas o que EU tenho a ver com isso? A anta não podia deixar alguém passar na frente, já que o marido não estava lá? O negócio é chegar na idiota e HADOUKEN!!!

- Você sai de casa atrasado para o trabalho e nota que alguém estacionou o carro bem na frente do seu portão e está batendo papo com a vizinha. Você então abre o portão e fica com as mãos na cintura encarando o dono do veículo, que vem retirar a porcaria do carro com um sorriso amarelo. Cadê o funcionário do CET para multar este féla? Ele tem a rua inteira onde pode estacionar, por que justo na frente do meu portão? HADOUKEN no mané!!!


 

- Você está na fila do auto-atendimento do banco. Tem só uma pessoa na sua frente, que está usando o equipamento. Você observa que a desgraçada inseriu o cartão mil vezes na máquina, digitou a senha outras mil vezes e repetidamente colocou as mãos na cabeça. No final, você acaba se oferecendo para ajudar. Não porque você é misericordioso, mas porque senão a mulher não sai mais de lá. Aí você acaba descobrindo que ela estava usando o cartão do Bradesco no caixa do Itaú.  Hadouken!!!

- Você é o caixa do banco e vem aquele cara com uma conta que você não recebe. Não tem jeito, o sistema do seu banco não recebe aquela conta. O cara fica insistindo, enchendo o saco e tem ainda a cara de pau de dizer: “mas NO MÊS PASSADO eu paguei aqui”. Você olha para ele, dá um sorrisinho e… HADOUKEN!!!

 

Quem nunca teve vontade de chegar naquele sem noção que só faz encher a paciência e mandar ele para bem longe com um hadouken?

 

Hadouken rules!!!

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